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06/06/14 - Microsoft lança projeto de mapeamento participativo de comunidades

Pela primeira vez as informações sobre os pontos de interesse dentro das comunidades poderão ser acessadas no mundo todo através do Bing

A Microsoft apresenta hoje no Vidigal, na Zona Sul do Rio de Janeiro, o projeto “Na Área”, o primeiro passo de uma iniciativa global de mapeamento participativo das comunidades. Esta será a primeira vez que as informações coletadas neste tipo de trabalho serão disponibilizadas em uma plataforma de busca de alcance mundial na internet, o Bing.

O time do Bing baseado no Rio de Janeiro iniciou o projeto e irá desenvolver a infraestrutura necessária de mapeamento e consulta de informações. As lições aprendidas aqui deverão servir de modelo para reduzir as lacunas digitais em todo o mundo. Trata-se de um trabalho feito em parceria com ONGs, agentes públicos e privados, para identificar os principais pontos de referência, estabelecimentos públicos e comerciais dentro das comunidades. Uma das principais parceiras é o Instituto Pereira Passos (IPP), da Prefeitura do Rio, que forneceu mapas e dados de campo.

Inclusão participativa

O IPP é parceiro da Microsoft neste trabalho e pretende expandir o mapeamento dos pontos de interesse a outras comunidades cariocas pacificadas. Através dos mapas e ferramentas criados pela Diretoria de Informações da Cidade (DIC) do IPP, os moradores poderão participar, contribuindo para a reunião de informações que vão deixar o trabalho cada vez mais completo. As imagens agrupadas nos mapas do IPP têm mais que o dobro da definição das imagens dos buscadores de localização mais populares da internet e a ferramenta desenvolvida pelo Instituto permite a participação dos moradores através de smartphones, tablets ou qualquer dispositivo equipado com GPS. O morador poderá fazer uma foto do ambiente, enviar pela internet e acrescentar as informações que considerar relevantes sobre o local.

“O projeto é importante porque é mais uma etapa que nós do IPP concretizamos com o objetivo de inserir estas comunidades no mapa oficial, aumentando a integração ao restante da cidade e valorizando seus pontos de interesse. Também é importante destacar que nesta parceria estamos usando recursos da iniciativa privada para fomentar políticas públicas, modelo que temos realizado com sucesso com outros parceiros do IPP. Pretendemos ampliar o mapeamento para todas as comunidades pacificadas, e este é um grande presente para o Rio de Janeiro prestes a completar 450 anos”, afirma Eduarda La Rocque, presidente do IPP.

As informações serão disponibilizadas no Bing, o que possibilitará, por exemplo, recomendações personalizadas para consultas como ‘oficinas mecânicas no Vidigal’ ou ‘restaurantes em Manguinhos’. Por ser uma ferramenta de pesquisa que localiza e organiza as respostas necessárias, o Bing possibilitará que o usuário encontre o que precisa de forma rápida acessando http://www.bing.com/ a partir de qualquer aparelho conectado à Internet, como PCs, smartphones e tablets.  A primeira fase inclui três comunidades, nas quais vivem aproximadamente 200 mil pessoas, de acordo com dados do IPP: Vidigal, Manguinhos e o Complexo da Maré. Até o fim do ano, a Microsoft tem o compromisso de estender o projeto para outras 40 comunidades.

No Vidigal, a primeira comunidade a ter a coleta de dados concluída, o IPP fez o levantamento das principais necessidades de informação dos moradores, por meio de entrevistas em que eles apontaram os locais mais importantes dentro da comunidade. Para marcar o início do projeto, a Microsoft incentivou jovens moradores a traduzir a sua história em fotos dos locais que costumam frequentar. Um curso de fotografia foi ministrado na sede da ONG Nós do Morro pelo fotojornalista Felipe Paiva, também morador do Vidigal, para que esses jovens fizessem os registros utilizando aparelhos Windows Phone da linha Nokia Lumia.

“Ao buscar a inclusão das comunidades no mundo digital, o Bing se diferencia dos seus concorrentes, pois amplia o seu alcance e passa a oferecer funcionalidades e oportunidades para mais pessoas. O Bing está colocando a comunidade no Mapa, pois um serviço de busca no Brasil deve ser relevante para todos”, diz Marcos Swarowsky, diretor de publicidade online da Microsoft.

Busca e interpretação

De maneira geral, hoje, de cada dez buscas realizadas em um dispositivo móvel, quatro são por mapas, estabelecimentos públicos ou pontos de comércio local. Nos grandes centros urbanos, por exemplo, os pontos de interesse mais buscados são bancos, lojas de alimentos, restaurantes, bares e hotéis, além de farmácias e outros estabelecimentos comerciais e públicos.

Ao aparecer nos serviços de localização de informações online, os comerciantes locais poderão se beneficiar de uma plataforma digital para melhorar os ganhos dos seus negócios. O Bing pode ajuda-los a atrair novos clientes, pois ainda agrega informações de redes sociais especializadas, através de parcerias globais com FourSquare, TripAdvisor; e de detalhados mapas e sistemas de navegação, em parceria com a Nokia HERE.

“O Bing mapeou as comunidades para tornar as informações acessíveis a milhões de pessoas no Brasil e no mundo. Porém, mais que coletar informações, nós interpretamos as necessidades dos usuários para ajuda-los a tomar as melhores decisões, no momento certo“, diz Lúcio Tinoco, diretor de engenharia do Bing, que comanda um time de 20 engenheiros no Rio, que trabalham integrados à equipe global.

Comunidades digitais

Até o lançamento do Na Área, havia poucos pontos de interesse mapeados em comunidades nos morros, favelas e bairros distantes. No Complexo da Maré, por exemplo, de acordo com os dados do Bing, menos de 1% dos pontos de interesse havia sido mapeado.

O projeto nasceu quando a equipe do Bing no Rio identificou a lacuna de informação sobre as comunidades nos mapas disponibilizados na internet. Com o crescimento do uso de dispositivos móveis para acessar a web, os moradores desses locais não estão mais à margem do mundo digital. Atualmente eles estão deixando as lan houses e migrando para os smartphones.

Segundo dados do Data Popular, quase 12 milhões de brasileiros moram nas comunidades, sendo que nos últimos dez anos, 65% dessa população passou a ser considerada classe média, com faixa salarial de R$ 910,00. Praticamente 50% das casas possuem TVs de plasma ou LCD, micro-ondas e computador (31% com acesso à internet).

O celular já é o principal meio de comunicação com o mundo fora da comunidade. Entre os moradores, 89% possuem um aparelho móvel, sendo que desses, 22% são smartphones. O uso desse tipo de aparelho é predominante entre os jovens de 16 a 29 anos, que representam 31% do total. A faixa entre 30 e 49 representa 17%. Apenas 8% têm mais de 50 anos de idade.

Fonte: Mundogeo.com
Data: 27/05/2014